terça-feira, 28 de julho de 2009

À morte de Inês de Castro (Bocage)

Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores;
Morrei, Amores,
Que Inês morreu.

Mísero esposo,
Desata o pranto,
Que o teu encanto
Já não é teu.

Sua alma pura
Nos Céus se encerra;
Triste da Terra,
Porque a perdeu.

Contra a cruenta
Raiva íerina,
Face divina
Não lhe valeu.

Tem roto o seio
Tesoiro oculto,
Bárbaro insulto
Se lhe atreveu.

De dor e espanto
No carro de oiro
O Númen loiro
Desfaleceu.

Aves sinistras
Aqui piaram
Lobos uivaram,
O chão tremeu.

Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores:
Morrei, Amores,
Que Inês morreu.